quinta-feira, 28 de abril de 2011

OS DOGMAS MARIANOS






O Magistério da igreja se une num concílio universal onde bispos, pensadores e teólogos, sob a presidência do Papa, se encontram para estudarem, meditarem sobre um determinado ponto em questão, recorrendo e consultando a bíblia, a tradição e o povo cristão que sobre a luz do espírito santo chegam a uma decisão comum. Chegam a um dogma, a uma verdade de fé, necessária a igreja.

Na Igreja os dogmas são importantes, porque ajudam os cristões a se manterem fiéis na fé genuína do cristianismo. Os dogmas são como placas que indicam o caminho de nossa fé. Foram criados para ajudar a gente a se manter no rumo do santuário vivo, que é Jesus. (com Maria rumo ao novo milênio. CNBB, Paulus, 1997)

Nossa Igreja é Católica, Apostólica, Una e Santa.

Católica, porque é construida para todos os homens, não só para a elite, não só para os pobres, mas sim para todos os pecadores.

Apostólica, pois jesus cristo organizou a sociedade e deixou como continuadores os apóstolos.

Una, Jesus somente fundou uma igreja.

Santa, na sua origem, porque saiu de deus, e no seu objetivo, que é a santificação de todos aqueles que são filiados a ela.


Os Dogmas Marianos



Exaltada por graça do senhor e colocada, logo a seguir a seu filho, acima de todos os anjos e homens, Maria que, como Mãe Santíssima de Deus tomou parte nos mistérios de Cristo, é com razão venerada pela igreja com culto especial. (concílio ecumênico vaticano II, 2004, art. 66).

Exemplo da devoção a maria, Arca da Aliança, é o pontificado de joão paulo II, que escolheu como lema a expressão Totus Tuus, Inteiramente Teu, deduzindo a virgem a quem era muito ligado.
Os Dogmas Marianos que foram conquistas históricas e teológicas do cristianismo, fazem parte do patrimônio e da doutrina da Igreja, que nascem na Igreja, e recorre a Sagrada Escritura e a tradição como fonte, na função de compreender mais profundamente o mistério de Cristo
Os Dogmas Marianos glorificam a Maria santíssima, ela é exaltada precisamente em sua insignificância e simplicidade, e é por intermédio dos insignificantes, dos pobres que o reino se torna realidade entre nós.

Dogmas Marianos são:

1. Maternidade Divina (Mãe de Deus):

A Virgem Maria já recebia o título de Mãe Deus e muitas pessoas no século IV aclamavam como Theotokos, significa na verdade, professar que Cristo, filho da Virgem Santíssima segundo a geração humana, é filho de Deus.
No século v, o bispo Nestório pôs em dúvida a legitimidade do título Mãe de Deus, ele era propenso a considerar Maria somente como mãe do homem Jesus, não enquanto Mãe de Deus. Afirmava que só era doutrinalmente correta à expressão Mãe de Cristo. Nestório era induzido a este erro pela sua dificuldade de admitir a unidade da pessoa de cristo, e pela interpretação errônea da distinção entre as duas naturezas, divina e humana, presentes nele. Nestório não compreendia como Maria podia ser Mãe de Deus, se este sempre existiu. Em oposição a este pensamento, se colocava o patriarca de Alexandria, Cirilo. Assim foi instaurado o concílio, e a resposta da fé da Igreja, condenou a doutrina de Nestório.
O filho de Deus foi sempre gerado por Deus Pai. Nesta geração eterna Maria não desempenha, evidentemente, nenhum papel. O filho de Deus há dois mil anos, assumiu a nossa natureza humana e foi então concebido e dado à luz por Maria. Assim, Jesus Cristo é o verbo de Deus encarnado, então aquela que o deu a luz pode ser chamada Mãe de Deus.
O Concílio de Éfeso, no dia 22 de junho do ano 431, dirigido pelo papa celestino que condenou as teses nestorianas, e afirmando a subsistência da Natureza Divina e da Natureza Humana na única pessoa do filho, proclamou e definiu:
Se alguém não professa que o Emanuel (Cristo) é verdadeiramente Deus, e que a Virgem Santa é Mãe de Deus (Theotokos) que gerou segundo a carne o Logos de Deus feito carne, seja excomungado.
O Dogma da Maternidade Divina teve como base as seguintes escrituras:
Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma Virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco. Is 7,14.
Mas quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, que nasceu de uma mulher e nasceu submetido a uma lei. Gl 4,4.
Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus. Lc 1, 35.
Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor? Lc1,43.
E os patriarcas: deles descende Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todas as coisas. Deus bendito para sempre. Amém. Rm9,5.


2. Virgindade Perpétua:

Apesar de ser verdade Apostólica, pois o próprio credo narra à virgindade de Nossa Senhora, esta verdade foi muita atacada pelos hereges, que não compreenderam como Maria concebeu como virgem, e como virgem deu a luz. Mas Nossa Senhora teve seus exímios defensores, que afirmavam que Maria era a sempre Virgem, isto é, antes do parto, no parto e depois do parto, num sentido próprio, a integridade física dos órgãos.
O Dogma da Virgindade perpétua teve como base as seguintes escrituras:
Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco. Is 7,14.
No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria. Lc1,26-27.
Estas passagens bíblicas Lc1,34; Mt1,18; Ez44,2; Mq5,2-3; Mt1,22-23 fundamentavam as pessoas a confessar virgindade real e perpétua de Maria, pois Ela concebeu sem ter tido relação sexual, além de ter dado a luz a Jesus sem dor e sem que sua carne tivesse sofrido qualquer rompimento, no parto do filho de Deus feito homem.
Lc 21,7 – E deu à luz seu filho primogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria. Lc21,7.
Se Adão e Eva foram criados do nada e se Jesus pode sair do sepulcro, qual a dificuldade de aceitar que esse Deus do impossível, possa ter nascido de uma Mãe Virgem.
Com efeito, o nascimento de Cristo longe de diminuir, consagrou a integridade virginal de sua mae. A liturgia da Igreja celebra Maria como a Aeiparthenos a sempre-virgem. (C.I.C & 499).
Maria é virgem porque sua virgindade é o sinal de sua fé, absolutamente livre de qualquer dúvida, e de sua doação sem reservas à vontade de Deus. É sua fé que lhe concede tornar a Mãe do Salvador: Beatior est Maria percipiendo fidem Christi quam concipiendo carnem Christi – Maria é mais bem-aventurada recebendo a fé de Cristo do que concebendo a carne de Cristo. (C.I.C & 506).
Os que negavam a virgindade de Maria após o parto baseavam-se nas passagens dos irmãos de Jesus. Por exemplo: “Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria, o irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? Não vivem aqui entre nós também suas irmãs? E ficaram perplexos a seu respeito.” Mc6,3. No hebraico ou aramaico, não existia uma palavra para exprimir primo. Assim a palavra irmão era utilizada para exprimir parentesco.
Acreditar na virgindade de Maria é acreditar nos privilégios que Deus tinha por sua Mãe. Ela era e é a cheia de graça, cheia das benções de Deus, que pode tudo.

3. Imaculada Conceição:

A Proclamação do Dogma da Imaculada Conceição, não foi novidade, a devoção a Maria Imaculada é muito mais antiga, precede de séculos, antes de quase dois milênios, a qual foi simplesmente reconhecida.
Os Padres da tradição oriental chamam a Mãe de Deus “a toda Santa”, celebram-na como “imune de toda mancha de pecado, tendo sido plasmada pelo Espírito Santo, e formada como uma nova criatura”. Pela graça de Deus, Maria permaneceu pura de todo pecado ao longo de toda a sua vida. (C.I.C & 493)
Porém, os maculatistas argumentavam que Adão e Eva foram criados em estado de graça, mas contraíram um divida com Deus, pela desobediência, o pecado original. Em consequência disto, foi transmitido o pecado a toda a humanidade, e interrogavam se Maria era Imaculada não precisava da redenção de Cristo?
Duns Scoto, foi o teólogo que argumentou, historicamente, em favor do privilegio mariano, baseando-se na Redenção Preventiva. Ele encontrou a fórmula, que solucionava a dificuldade de admitir que também Nossa Senhora como filha de Adão e Eva devia estar sujeita ao pecado original. Pregava ele, que Maria, Virgem Singular, foi preservada deste pecado, em previsão dos méritos de Cristo, com antecipada aplicação da redenção universal de Jesus. Duns Scoto, afirmava assim, que Maria teria sido redemida de uma forma mais sublime, mais excelsa:
Ela não teria sido libertada do pecado como o resto da humanidade, mas preservada do pecado. Nossa Senhora não teria sido chamada a como a Cheia de Graça se estivesse sob o domínio do pecado. Nela não há mácula da culpa primeira, a toda formosa, minha companheira, a Rainha da Paz, não precisou do Batismo, para ser purificada, pois pelos méritos previsto de Cristo, Ela foi batifizada na graça já em sua conceição e Deus a preservou do pecado original e de suas sequelas.
Aos 8 de dezembro de 1854, Pio IX, na Bula “Ineffabilis Deus”, fez a definição oficial do dogma da Imaculada Conceição de Maria. Assim o Papa se expressou:
Em honra da santa e indivisa Trindade, para decoro e ornamento da Virgem Mãe de Deus, para exaltação da fé católica, e para incremento da religião cristã, com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, e coma nossa, declaramos, pronunciamos e definimos a doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria no primeiro instante de sua conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador de gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, essa doutrina foi revelada por Deus e, portanto, deve ser sólida e constantemente crida por todos os fiéis. (A virgem, 2001)

O Dogma da Imaculada Conceição teve como base as seguintes escrituras:
Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar. Gn 3,15.
Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo. Lc 1, 28.
E exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu Ventre. Lc 1,42.

4. Assunção de Maria:

Esta festividade é uma das mais antiga na Igreja. Há mais de 1.500 anos, na Igreja Romana.
De fato, esta festividade lembra como a Mãe de Jesus Cristo recebeu a recompensa de suas obras, dos seus sofrimentos, penitencias e virtudes, com uma glorificação imediata da alma e do corpo, o qual foi transportado pelos anjos ao céu, para que não houvesse a corrupção do corpo.
Sempre foi crença pacífica dos fiéis na igreja que o corpo da Rainha dos Confessores, que teve a plenitude da graça, foi concebido imaculado, isento do pecado original atual, corpo que não conheceu sombra do pecado, corpo que foi o berço, onde tornou carne o próprio Verbo de Deus ao fazer-se homem, não podia estar sujeito à corrupção, mas devia ser glorificado junto com a alma na glória celeste.
S. João Damasceno, que entre todos se distingue como pregoeiro dessa tradição, ao comparar a assunção gloriosa da Mãe de Deus com as suas outras prerrogativas e privilégios, exclama com veemente eloquência: “Convinha que aquela que no parto manteve ilibada virgindade conservasse o corpo incorrupto mesmo depois da morte. Convinha que aquela que trouxe no seio o Criador encarnado, habitasse entre os divinos tabernáculos. Convinha que morasse no tálamo celestial aquela que o Eterno Pai desposara. Convinha que aquela que viu o seu Filho na cruz, com o coração transpassado por uma espada de dor de que tinha sido imune no parto, contemplasse assentada à direita do Pai. Convinha que a Mãe de Deus possuísse o que era do Filho, e que fosse venerada por todas as criaturas como Mãe e Serva do mesmo Deus (Constituição Apostólica do Papa Pio XII, art.21)
Na Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, o pontífice afirmou que, depois de terminar o curso terreno de sua vida, a Mãe de Deus foi assunta de corpo e alma à glória celeste. Este mistério foi solenemente definido pela autoridade suprema da Igreja, no dia 1º de novembro de 1950, para que mais plenamente estivesse conforme a seu Filho.
...declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial... (C.I.C & 966)

O último Dogma Mariano a ser proclamado, pelo Papa Pio XII, foi Maria como Vaso de Insigne Devoção, o qual define se Ela teria morrido ou não.
A morte natural como simples término da existência terrena não tem nada de humilhante para Maria, ainda mais que Ela em tudo queria ser semelhante ao seu Divino Filho. Contudo, Ela, por força de sua isenção do pecado original e da singular dignidade de Mãe do Filho de Deus, devia ser preservada das consequências da morte, que são a corrupção do corpo e sua total decomposição.
Deus deu a sentença para o corpo daqueles que havia sido desobedientes em Gênisis 3,19: “Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que foste tirado: porque és pó, e pó te hás de tornar. “Porém, Jesus e Maria estão isentos deste direcionamento, pois Eles, nunca desobedeceram. Assim, não tiveram seus corpos experimentado a corrupção.
Portanto, o fundamento deste dogma se depreende e é consequência dos anteriores.
Todo título glorioso em Maria, todo privilégio recebido por Maria, tudo lhe foi dado em vista de sua alta missão de Mãe de Deus Filho, Mãe da Igreja, Mãe e Advogada nossa, junto a Deus.


TOTUS TUUS! MANUAL DE CONSAGRAÇÃO A JESUS POR MARIA SANTÍSSIMA.