terça-feira, 3 de maio de 2011

A ASSUNÇÃO CORPORAL DE MARIA






É UMA GRAÇA ESTRITAMENTE ASSOCIADA À Imaculada Conceição. O entendimento deste privilégio mariano foi mais fácil aos cristãos do que o da Imaculada

HISTÓRIA DO DOGMA

OS ANTIGOS ESCRITORES GREGOS DA IGREJA

Antes do século IV não há notícia a respeito do fim da vida terrestre de Maria SSma. O primeiro autor que falou da sua morte, foi S. Efrém (+373): “Virgem, ela o deu à luz, e fica incólume em sua virgindade; ela o levantou e o alimentou com seu leite. Ela é virgem, e assim morre, sem que sejam violados os selos da sua virgindade” (Hino 15,2). Santo Efrém dá ênfase à virgindade perpétua; a morte é mencionada, como um fato.

S. Epifânio (+403) aborda o assunto, revelando incerteza: “A Sagrada Escritura não diz se Maria morreu, se foi sepultada ou se não foi sepultada...Conservou absoluto silêncio por causa da grandeza do prodígio, a fim de não deixar assombrados os espíritos dos homens. Quanto a mim, não ouso falar disso. Conservo a questão em minha mente e me calo” (Panarion,Haer. 78).
Epifânio examina a hipótese do martírio cruento de Maria Ssma (já que Simeão predissera que uma espada lhe traspassaria o coração – Lc 2,55); considera também a elevação gloriosa de Maria aos céus conforme Ap 12,1.14: “É possível que isto se tenha realizado em Maria. Mas não afirmo de modo absoluto, nem digo que permaneceu isenta da morte. Maria morreu? – Não o sabemos”.

Século IV, sermão de Timóteo (presbítero de Jerusalém): “Uma espada transpassará a tua alma!” - Destas palavras muitos concluíram que a Mãe do Senhor, morta pela espada, obteve o fim glorioso que é o martírio. A espada metálica divide o corpo e não a alma.

Nos primeiros séculos há tendência a crer que Maria não morreu. Mas, uma corrente gnóstica afirmava que Maria se encontrava imortal, oculta em algum lugar da terra. A fé do povo de Deus se exprimiu no estilo fantasioso dos apócrifos, vejamos: “O Senhor a abraçou, tomou a sua alma e a colocou nas mãos de Miguel, que a envolveu em peles mais brilhantes do que se pode dizer. Nós, apóstolos, vimos a alma de Maria nas mãos de Miguel; tinha perfeita aparência; a semelhança do corpo de um esplendor sete vezes mais refulgente do que o sol. Três dias depois desceram ao sepulcro de Jesus, Miguel e Gabriel. Então o Senhor ordenou a Miguel que pusesse o corpo de Maria sobre uma nuvem e o depositasse no paraíso. Quando todos chegaram ao paraíso, depositaram o corpo de Maria sobre a árvore da vida” (L’Assomption de la T.S. Vierge dans la tradition byzantine).

Tal texto carece de valor histórico. Exprime a fé do povo cristão. A afirmação da Maternidade Divina de Maria e de sua santidade (própria do templo de Deus) catalisou as expressões da crença na vitória de Maria sobre a morte.