O evangelista João narra no final do primeiro capítulo do seu Evangelho o elogio à honradez de Natanael, que encontrado por outro discípulo, Filipe, foi abordado com a boa nova de ter encontrado Jesus. Ao ouvir a notícia Natanael reagiu, fazendo consideração preconceituosa ao expressar descrédito a respeito do que poderia ter de bom em Nazaré, na Galileia. O comentário de Jesus, dirigindo-se a Natanael, foi que ele era um verdadeiro israelita, no qual não havia falsidade. Natanael ficou surpreso e quis saber de onde Jesus o conhecia. A resposta, carregada de simbolismo, indica que o Mestre o vira debaixo da figueira. O contexto indica que era um homem sério e de fé, para além dos próprios limites. Porém, banhado por preconceitos, frutos de sentimentos ou de inteligência estreitos, mas que privilegiava a busca da verdade e do bem.
Essa cena evangélica remete a pessoa humana e as instituições à seriedade da condição moral, tocando o exigente desafio de articular princípios e valores como garantia de condutas e abordagens, que teçam a honradez como tesouro indispensável para a vida pessoal, social e política. Honradez se constrói com honestidade. No entanto, está comprometida na consideração quanto à honra como valor, que, parece, está em baixa no tempo atual. Explica-se a confusão pela qual passam instituições, grupos, famílias e outros segmentos da sociedade. Não se pode omitir a desordem entre instituições brasileiras, uma imiscuindo-se no que é próprio da outra, exorbitando competências.
A honradez que sustenta e dá consistência se compromete facilmente em razão da falta de fidelidade. Isso exige sacrifício e coerência com princípios, identidades e, também, com o prometido no assumir lugares, cargos, responsabilidades, missões e tarefas próprios de cada instituição, partido ou instância. A avaliação da honradez é um balizamento que articula o que se assume como postura e obrigação, em confronto com princípios éticos e morais que norteiam a instituição à qual se pertence, ao partido afiliado, à academia na qual se ocupa um lugar, ao clube escolhido… Não pode ser diferente ao se tratar de instituição religiosa.
É interessante ouvir falar de fidelidade partidária. Sua desconsideração, em razão de jogos ideológicos e interesses cartoriais, ou os mesquinhamente individuais, provoca a lambança política que desfigura um parlamento, usurpado no poder próprio pela corte suprema, aplaudida como corajosa – embora com ato inconstitucional; transforma uma assembléia legislativa em palco de negociatas, ou câmaras municipais um lugar de mediocridades. O politicamente correto vence e, como afirmam juristas respeitados, o Parlamento não tem coragem de anular a decisão de um Supremo Tribunal Federal (STF), que usurpou sua competência constitucional.
Não é diferente quando o tesouro da honradez se compromete por parte de religiosos e, em particular, dos que assumem lugares e condições consagradas no serviço e na fidelidade a princípios e valores éticos e morais da fé que professam. Sob pena de equívocos graves e comprometedores na profissão de fé, não se pode radicalizar, por exemplo, no âmbito social e relativizar em questões e princípios morais.
É preciso retomar o assunto abordado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) quanto à união estável de pessoas do mesmo sexo, ao afirmar: “a diferença sexual é originária e não mero produto de uma opção cultural”(esta pretensa afirmação de que a diferença sexual é um produto socio-cultural se traduz hodiernamente no conceito de gênero (gender), isto é, uma ideologia da orientação sexual. Esta, por sua vez, tem suas raízes no feminismo dos anos sessenta, ainda extramamente presente, quando a ideologia do gênero retoma, a nível de propostas públicas de educação sexual promovidas por vários governos, o slongan feminista de Simone de Beauvoir: “ninguém nasce mulher, mas antes se torna mulher”. Cf. Sexualidade, gênero e desafios bioéticos, livro indicado na mensagem) . A afirmação que todos merecem respeito nas opções que fazem, com repúdio a todo tipo de violência e discriminação, não pode relativizar princípios e normas morais que permitam equiparar, pura e simplesmente, a família com a união estável entre pessoas do mesmo sexo(O Catecismo nos lembra o respeito devido a todos (cf. n °1935). Porém, lembra o caráter imoral das relações homossexuais (cf. n° 2357-59). Tais afirmações serão retomadas pelo documento Sexualidade Humana: Verdade e Significado (cf. n° 104), lembrando com que delicadeza devemos acolher as pessoas homossexuais e acompanhá-las. Ao mesmo tempo, o texto lembra o quanto as pessoas que têm esta inclinação ou tendência, devem ser ajudadas por profissionais. A questão é que os partidários da dita “lei contra a homofobia”, se fundando na ideologia de gênero, consideram que a questão homossexual está “resolvida”, já que esta seria, para estes, somente uma construção socio-cultural de certos comportamentos. Portanto, bastaria refazer os conceitos através da ação e, grosso modo, desconsiderar todos as reflexões antropológicas, fisiológicas e psicológicas sobre o tema. A fidelidade a valores, princípios e normas morais dá à Igreja o direito – e é um dever que tem – de questionar e confrontar-se com instituições, como o STF, a propósito de interpretações que levam a equívocos e comprometimentos éticos na política(Cf. CCE 2032, sobre o dever da Igreja de se manifestar em sociedade em quetões de ética).
Voltando ao tema da honradez, é natural pressupor que a profissão da fé cristã católica tenha em conta essa orientação e esse embasado entendimento. Particularmente, é uma exigência para os que se consagram à missão do anúncio dessas verdades. O compromisso com a honradez é evidente pelo comprometimento da fidelidade prometida. Fica, então, evidente a manipulação de oportunidades e o usufruto indecente de benesses institucionais, chamando ações disciplinares e correção de rumos para não comprometer o que conta para todos os cidadãos, em especial para o discípulo de Jesus, o tesouro da honradez.
Dom Walmor Oliveira de Azevedo.
Essa cena evangélica remete a pessoa humana e as instituições à seriedade da condição moral, tocando o exigente desafio de articular princípios e valores como garantia de condutas e abordagens, que teçam a honradez como tesouro indispensável para a vida pessoal, social e política. Honradez se constrói com honestidade. No entanto, está comprometida na consideração quanto à honra como valor, que, parece, está em baixa no tempo atual. Explica-se a confusão pela qual passam instituições, grupos, famílias e outros segmentos da sociedade. Não se pode omitir a desordem entre instituições brasileiras, uma imiscuindo-se no que é próprio da outra, exorbitando competências.
A honradez que sustenta e dá consistência se compromete facilmente em razão da falta de fidelidade. Isso exige sacrifício e coerência com princípios, identidades e, também, com o prometido no assumir lugares, cargos, responsabilidades, missões e tarefas próprios de cada instituição, partido ou instância. A avaliação da honradez é um balizamento que articula o que se assume como postura e obrigação, em confronto com princípios éticos e morais que norteiam a instituição à qual se pertence, ao partido afiliado, à academia na qual se ocupa um lugar, ao clube escolhido… Não pode ser diferente ao se tratar de instituição religiosa.
É interessante ouvir falar de fidelidade partidária. Sua desconsideração, em razão de jogos ideológicos e interesses cartoriais, ou os mesquinhamente individuais, provoca a lambança política que desfigura um parlamento, usurpado no poder próprio pela corte suprema, aplaudida como corajosa – embora com ato inconstitucional; transforma uma assembléia legislativa em palco de negociatas, ou câmaras municipais um lugar de mediocridades. O politicamente correto vence e, como afirmam juristas respeitados, o Parlamento não tem coragem de anular a decisão de um Supremo Tribunal Federal (STF), que usurpou sua competência constitucional.
Não é diferente quando o tesouro da honradez se compromete por parte de religiosos e, em particular, dos que assumem lugares e condições consagradas no serviço e na fidelidade a princípios e valores éticos e morais da fé que professam. Sob pena de equívocos graves e comprometedores na profissão de fé, não se pode radicalizar, por exemplo, no âmbito social e relativizar em questões e princípios morais.
É preciso retomar o assunto abordado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) quanto à união estável de pessoas do mesmo sexo, ao afirmar: “a diferença sexual é originária e não mero produto de uma opção cultural”(esta pretensa afirmação de que a diferença sexual é um produto socio-cultural se traduz hodiernamente no conceito de gênero (gender), isto é, uma ideologia da orientação sexual. Esta, por sua vez, tem suas raízes no feminismo dos anos sessenta, ainda extramamente presente, quando a ideologia do gênero retoma, a nível de propostas públicas de educação sexual promovidas por vários governos, o slongan feminista de Simone de Beauvoir: “ninguém nasce mulher, mas antes se torna mulher”. Cf. Sexualidade, gênero e desafios bioéticos, livro indicado na mensagem) . A afirmação que todos merecem respeito nas opções que fazem, com repúdio a todo tipo de violência e discriminação, não pode relativizar princípios e normas morais que permitam equiparar, pura e simplesmente, a família com a união estável entre pessoas do mesmo sexo(O Catecismo nos lembra o respeito devido a todos (cf. n °1935). Porém, lembra o caráter imoral das relações homossexuais (cf. n° 2357-59). Tais afirmações serão retomadas pelo documento Sexualidade Humana: Verdade e Significado (cf. n° 104), lembrando com que delicadeza devemos acolher as pessoas homossexuais e acompanhá-las. Ao mesmo tempo, o texto lembra o quanto as pessoas que têm esta inclinação ou tendência, devem ser ajudadas por profissionais. A questão é que os partidários da dita “lei contra a homofobia”, se fundando na ideologia de gênero, consideram que a questão homossexual está “resolvida”, já que esta seria, para estes, somente uma construção socio-cultural de certos comportamentos. Portanto, bastaria refazer os conceitos através da ação e, grosso modo, desconsiderar todos as reflexões antropológicas, fisiológicas e psicológicas sobre o tema. A fidelidade a valores, princípios e normas morais dá à Igreja o direito – e é um dever que tem – de questionar e confrontar-se com instituições, como o STF, a propósito de interpretações que levam a equívocos e comprometimentos éticos na política(Cf. CCE 2032, sobre o dever da Igreja de se manifestar em sociedade em quetões de ética).
Voltando ao tema da honradez, é natural pressupor que a profissão da fé cristã católica tenha em conta essa orientação e esse embasado entendimento. Particularmente, é uma exigência para os que se consagram à missão do anúncio dessas verdades. O compromisso com a honradez é evidente pelo comprometimento da fidelidade prometida. Fica, então, evidente a manipulação de oportunidades e o usufruto indecente de benesses institucionais, chamando ações disciplinares e correção de rumos para não comprometer o que conta para todos os cidadãos, em especial para o discípulo de Jesus, o tesouro da honradez.
Dom Walmor Oliveira de Azevedo.