quinta-feira, 5 de abril de 2012

A Grande Quinta-Feira Santa


A Grande Quinta-Feira Santa

Vésperas e Divina Liturgia de São Basílio

Neste dia, a Igreja nos faz reviver a Grande Ceia, durante a qual o Divino Mestre lavou os pés de seus discípulos e instituiu o Sacramento da Eucaristia. Lembra-nos também a traição de Judas, o discípulo falso, que ousou participar da mesa do Senhor e sair depois para entregar seu Mestre.

As cerimônias do dia são:

– Ofício do "Orthros" - (Laudes) que se reza quarta-feira de noite;

– Bênção do Óleo com o qual os sacerdotes ungem a fronte dos que vão comungar após terem confessado seus pecados;

– Bênção do Santo Crisma, usado na administração do Sacramento da Crisma. Este oficio é reservado ao Patriarca;

– Vésperas e Divina Liturgia de São Basílio;

– Depois da Divina Liturgia, nas catedrais, cerimônia do Lava-pés, na qual o Bispo lava os pés de 12 sacerdotes, como o Senhor lavou os pés de seus discípulos;

– Ofício da Paixão, considerado como "Orthros" de Sexta-feira Santa e que é realizado, portanto, à noite.

Ofício de Vésperas

Diante das Portas Reais (fechadas) o diácono, com uma vela na mão, exclama:

Diácono:

Abençoa, Mestre!

Sacerdote:

Bendito e glorificado seja o Reino do Pai , do Filho e do Espírito Santo,
a todo momento, agora e sempre e pelos séculos dos séculos.

Coro:

Amém.

Leitor:

Vinde! Adoremos e prostremo-nos
diante de Deus, nosso Rei.

Vinde! Adoremos e prostremo-nos
diante de Cristo Deus, nosso Rei.

Vinde! Adoremos e prostremo-nos
diante de Cristo, nosso Rei e nosso Deus.

Acompanhado do Diácono, o sacerdote (mais velho) incensa toda a igreja, enquanto o coro canta o Salmo Cósmico (Salmo 104) que introduz o Ofício.

Salmo 104

Leitor:

1Bendize, ó minha alma, ao Senhor!
Senhor, meu Deus, como és grande!
Tu te revestes de majestade e esplendor,
2envolto em um manto de luz;
estendes o céu como um toldo
3e constrói tua morada acima das águas.
Das nuvens fazes carruagem
e andas sobre as asas do vento;
4dos ventos fazes teus mensageiros
e do fogo flamejante, teus ministros.

5Quando assentaste a terra sobre suas bases,
para que jamais vacilasse,
6como um manto a cobria o oceano
e as águas mantinham-se sobre as montanhas.
7À tua ameaça recuaram;
ao reboar do trovão precipitaram-se,
8saltando pelas montanhas, descendo pelos vales,
para o lugar que lhes assinalaste.
9Impuseste-lhes um limite que não ultrapassassem,
para não tornarem a cobrir a terra.

10Fazes jorrar as fontes nos vales:
elas correm por entre os montes
11e dão de beber aos animais do campo;
os asnos selvagens matam a sede,
12junto delas moram as aves do céu,
cantando entre os ramos.
13Do alto de tuas moradas regas as montanhas,
e a terra se sacia do fruto de tuas obras.
14fazes brotar a erva para o gado,
as plantas que o homem cultiva,
tirando da terra o alimento,
15o vinho que alegra o coração,
o óleo que dá brilho às faces
e o pão que reconforta o coração do homem.

16São exuberantes as árvores do Senhor,
os cedros do Líbano, que ele plantou,
17nos quais os pássaros se aninham
e em cujos cimos a cegonha tem pousada.
18As altas montanhas pertencem às cabras montesas,
os penhascos dão abrigo às marmotas.

19Fizeste a lua para marcar os tempos,
e o sol conhece seu ocaso.
20Quando desdobras as trevas e se faz noite,
rondam as feras da selva.
21Os leões rugem por alguma presa,
reclamando de Deus o alimento;
22ao nascer do sol recolhem-se
e vão deitar-se nos covis.
23O homem sai para seu trabalho,
para suas lides até o entardecer.

24Quão numerosas são tuas obras, Senhor,
Fizeste-as todas com sabedoria!
A terra está repleta de tuas criaturas.
25Eis o mar, intenso e vasto, por todas as direções:
um fervilhar de animais, pequenos e grandes!
26Por eles singram os navios e o Leviatã,
que formaste para nele folgar.

27Todos esperam em ti,
que lhes dês o alimento no devido tempo.
28Tu lhes dás e eles o recolhem;
abres a mão e saciam-se de dádivas.
29Escondes a face e estremecem;
se retiras o seu alento, morrem e voltam ao pó.
30Envias o teu alento e são recriados
e renovas a face da terra.

31Perdure sempre a glória do Senhor!
Alegre-se o Senhor por suas obras!
32Ele olha a terra e ela treme;
ele toca as montanhas e elas fumegam.
33Enquanto eu viver, cantarei ao Senhor;
celebrarei meu Deus enquanto eu existir.
34Seja-lhe agradável meu poema,
e eu me alegrarei no Senhor.
35Desapareçam da terra os pecadores,
e os ímpios não mais existam!
Bendize, ó minha alma, ao Senhor!
Aleluia!
Glória ao Pai , ao Filho e ao Espírito Santo,
agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.
Aleluia! Aleluia! Aleluia!
Glória a Ti, ó Deus!

Durante a recitação do salmo precedente, o sacerdote, diante das Portas Santas, diz as Orações do Lucernário.

Orações do Lucernário

Primeira Oração

Sacerdote:

Senhor generoso e cheio de bondade,
paciente e rico em misericórdia,
atende a nossa oração
e escuta a voz de nossa súplica.
Faze de nós testemunhas do teu amor;
guia-nos pelo teu caminho,
para que andemos em tua verdade.
Concede alegria aos nossos corações
e temor ao teu santo Nome.
Porque Tu és grande e realizas maravilhas;
Tu, Senhor, és o único Deus,
poderoso em misericórdia e bondoso na fortaleza
para socorrer, consolar e salvar
aos que colocam sua esperança em teu santo Nome.

Porque a Ti é se deve toda glória, honra e adoração,
Pai
, Filho e Espírito Santo,
agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.

Segunda Oração

Senhor, não nos repreenda em teu furor
e não nos castigue em tua cólera,
mas, age conosco segundo a tua misericórdia
ó Médico de nossas almas.
Guia-nos ao porto da tua verdade.
Ilumina os olhos dos nossos corações
e dirige-nos no conhecimento de tua verdade;
Concede-nos, que o restante desta tarde,
e todo o tempo de nossa vida,
seja pacífico e sem pecado;
pelas intercessões da santíssima Mãe de Deus
e de todos os santos.

Pois teu é o poder, o reino, a força e a glória,
Pai
, Filho e Espírito Santo,
agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.

Terceira Oração

Senhor, Deus nosso,
lembra-te de nós, teus servos pecadores
quando invocamos o teu santo nome;
não permitas que sejamos envergonhados
em nossa esperança na tua misericórdia,
mas concede-nos, Senhor,
que nossas súplicas nos alcancem a salvação
e faze-nos dignos de amar-te
e de temer-te com todo o nosso coração
e de fazermos a tua vontade em todas as coisas.

Pois Tu és bom e amas a humanidade,
e a Ti rendemos glória, Pai
, Filho e Espírito Santo,
agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.

Quarta Oração

Ó Tu, a quem as santas potestades
cantam hinos e doxologias incessantes,
enche as nossas bocas do teu louvor
para cantarmos a grandeza do teu nome.
Concede-nos participar da tua herança
com todos os que, em verdade te temem
e guardam os teus mandamentos;
pelas orações da santa Mãe de Deus
e de todos os santos.

Pois a Ti pertence toda glória, honra e adoração,
Pai
, Filho e Espírito Santo,
agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.

Quinta Oração

Senhor, Senhor!
Tu, que sustentas todas as coisas
com tua puríssima e poderosa mão,
que és paciente e compassivo para conosco,
lembra-te de nós e visita-nos com tua bondade;
concede-nos, por tua graça,
que nesta tarde e na noite que está por vir.,
resistamos às seduções do mal.
Guarda-nos de todas as ciladas do maligno.

Pela misericórdia e grande amor de teu Filho unigênitoJesus Cristo
com quem és bendito, juntamente com o teu santíssimo, bom e vivificante Espírito, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.

Sexta Oração

Deus, grande e maravilhoso,
que, com tua inefável bondade e infinita providência,
conservas e diriges todas as coisas
dispondo-nos, em tua generosidade
os bens temporais de que necessitamos;
e a promessa do teu futuro reino;
Tu, que nos guardaste de todo o mal
no decurso deste dia,
concede-nos que permaneçamos sem pecado
até o seu ocaso, diante da tua santa glória,
e que te louvemos, Deus nosso,
ó único Bondoso e amigo da humanidade.

Porque Tu és nosso Deus e nós te glorificamos,
ó Pai
, Filho e Espírito Santo,
agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém

Sétima Oração

Grande e altíssimo Deus,
único imortal, que habitas na luz inacessível,
que criaste todas as coisas com sabedoria,
separando a luz das trevas,
dispondo o sol para reger o dia,
a lua e as estrelas para iluminar a noite;
que nos concedeste, a nós pecadores,
estar na tua presença com o coração contrito
e apresentar-te nossa doxologia vespertina;
Tu, Senhor, que amas a humanidade,
acolhe nossa oração como incenso,
como perfume de espiritual fragrância,
e concede-nos a tua paz
nesta tarde e na noite que está por vir.
Reveste-nos das armaduras da luz;
livra-nos do temor noturno
e de todo o mal que se move nas trevas;
e concede-nos, que o sono que nos deste
para o descanso e cura de nossas enfermidades
seja livre de todas as imaginações diabólicas .
Sim, Mestre, guia dos bons,
dá-nos que, compungidos sobre nossos leitos,
recordemos de teu nome durante a noite
e, iluminados pela meditação de teus mandamentos,
levantemos-nos com a alma bem disposta
para glorificar a tua bondade
e oferecer súplicas e preces à ternura de teu coração
pelos nossos pecados e pelas faltas do teu povo,
pela intercessão da Santa Mãe de Deus.

Pois Tu és um Deus bom e amas a humanidade
e nós te glorificamos, Pai
, Filho e Espírito Santo,
agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.

O sacerdote, terminada as Orações do Lucernário, faz pequena metania e entra no santuário.
Ou: Concluída a recitação do salmo 104, o diácono, diante das portas santas, canta a Grande Súplica da Paz. A cada pedido o coro responde cantando: “Kyrie, eleison!”

Grande Súplica da Paz

Sacerdote:

Em paz, oremos ao Senhor!

Coro:

Kyrie, eleison!

Sacerdote:

Pela paz que vem do alto e pela salvação de nossas almas,
oremos ao Senhor.

Coro:

Kyrie, eleison!

Sacerdote:

Pela paz do mundo inteiro, pela estabilidade da santa Igreja de Deus
e pela união de todos, oremos ao Senhor.

Coro:

Kyrie, eleison!

Sacerdote:

Por este santo templo e por todos que nele entram com fé,
devoção e temor de Deus, oremos ao Senhor.

Coro:

Kyrie, eleison!

Sacerdote:

Pelo nosso santo pai o patriarca N. ... ,
pelo nosso metropolita
N. ... , (arcebispo ou bispo)
pela venerável ordem dos sacerdotes e dos diáconos em Cristo
e por todo o clero e o povo, oremos ao Senhor.

Coro:

Kyrie, eleison!

Sacerdote:

Pelo Brasil, nosso amado país, protegido por Deus,
seus governantes, forças armadas e por todo o seu povo,
oremos ao Senhor.

Coro:

Kyrie, eleison!

Sacerdote:

Por esta cidade, por todas as cidades e vilas
e pelos fiéis que nelas residem, oremos ao Senhor.

Coro:

Kyrie, eleison!

Sacerdote:

Pela salubridade do ar, pela abundância dos frutos da terra
e por tempos pacíficos, oremos ao Senhor.

Coro:

Kyrie, eleison!

Pelos viajantes, doentes, aflitos e cativos
e pela salvação de todos, oremos ao Senhor.

Coro:

Kyrie, eleison!

Sacerdote:

Para que sejamos livres de toda aflição,
ira, perigo e adversidade, oremos ao Senhor.

Coro:

Kyrie, eleison!

Sacerdote:

Protege-nos, salva-nos, tem piedade de nós
e conserva-nos, ó Deus, pela tua graça.

Coro:

Amém.

Sacerdote:

Comemorando a nossa santíssima,
puríssima, bendita e gloriosa Senhora,
Mãe de Deus e sempre Virgem Maria e todos os santos,
recomendemo-nos mutuamente, uns aos outros,
e toda a nossa vida, a Cristo nosso Deus.

Coro:

A Ti, Senhor!

Sacerdote:

Pois a Ti pertence toda a glória, honra e adoração,
Pai
, Filho e Espírito Santo,
agora e sempre e pelos séculos dos séculos.

Coro:

Amém.

Segue-se imediatamente os salmos do Lucernário:

Salmo 141

Leitor:

1Senhor, eu te clamo, socorre-me depressa,
ouve minha voz quando clamo a Ti!

2Suba minha prece como incenso em tua presença,
minhas mãos erguidas como oferta vespertina.

3Senhor, coloca uma guarda à minha boca,
e sentinelas à porta dos meus lábios.
4Impede meu coração de se inclinar ao mal
de cometer a maldade com os malfeitores.

Não vou ter prazer em seus banquetes!
5Que o justo me bata, que o bom me corrija,
que o óleo do ímpio não me perfume a cabeça,
pois eu iria comprometer-me com suas maldades.

6Eles estão entregues ao poder da Rocha, seu juiz,
eles que tinham prazer quando me ouviam dizer:
7"como pedra do moinho rebentada por terra,
estão espalhados nossos ossos à boca do Xeol.

8A Ti, Senhor, elevo meus olhos,
eu me abrigo em Ti, não me deixes sem defesa!
9Guarda-me das armadilhas que armaram para mim,
e das ciladas dos malfeitores.

10Caiam os ímpios, cada qual em sua rede,
enquanto eu escapo em liberdade.

Salmo 142

2Gritando ao Senhor, eu imploro!
Gritando ao Senhor, eu suplico!
3Derramo à sua frente o meu lamento,
à sua frente exponho a minha angústia,
4enquanto meu alento desfalece;
mas Tu conheces meu caminho!

No caminho em que ando
ocultaram para mim uma armadilha.
5Olha para a direita e vê:
ninguém mais me reconhece,
nenhum lugar de refúgio,
ninguém que olhe por mim!

6 Eu grito a Ti, Senhor,
e digo:Tu és meu refúgio,
minha parte na terra dos vivos!
7Dá atenção ao meu clamor,
pois já estou muito fraco.

Livra-me dos meus perseguidores,
pois eles são mais fortes do que eu!
8faze-me sair da prisão,
para que eu celebre o teu Nome!

Intercalar aqui o primeiro "Stikeron", se houver 10.

Os justos que se ajuntarão ao meu redor,
por causa do bem que me fizeste.

Salmo 130

Do fundo do abismo, clamo a Ti, Senhor,
Senhor, escuta a minha oração.

Primeiro "Stikeron" se houver 8

Estejam teus ouvidos atentos
à voz da minha súplica.

Se tiveres em conta os meus pecados, Senhor,
Senhor, quem poderá subsistir diante de Ti?

Mas em Ti está o perdão dos pecados,
para que, reverentes, te sirvamos.

Primeiro Stikeron, se houver 6 (É o caso da Liturgia de hoje).

1.° Stikeron

A assembléia dos Judeus nada mais tem a fazer
que precipitar-se para entregar a Pilatos
o Criador de todas as coisas.

O gentes sem lei! Ó gentes sem lei!
Eles fazem julgar
Aquele que veio julgar os vivos e os mortos,
eles preparam um suplicio
para Aquele que cura os sofrimentos.

Longânime Senhor,
grande é a tua piedade! Glória a Ti!

Eu confio no Senhor,
e minha alma tem confiança em sua palavra.

2.° Stikeron

A assembléia dos Judeus..., (ut supra...)

Minha alma anseia pelo Senhor,
mais do que os vigias pelo romper da manhã.

3.° Stikeron

Senhor, Judas o prevaricador
que, durante a Ceia, metera a mão no prato
ao mesmo tempo que tu,
estendeu as mãos à gentes sem lei,
para delas receber seu dinheiro.

Ele que havia calculado o preço do perfume
não se aterrorizou com o pensamento de te vender,
a Ti o Inestimável.

Ele que apresentou ao Mestre seus pés,
à fim de serem lavados,
beijou-O traiçoeiramente para O entregar aos ímpios.

Rejeitado do Colégio Apostólico,
embora tivesse deitado fora as trinta moedas de prata,
ele não viu a tua Ressurreição ao terceiro dia.
Por Ela, tem piedade de nós!

Mais do que os vigias pela aurora,
espere Israel pelo Senhor.

Primeiro Stikeron, se houver 4.

4.° Stikeron

Judas, o traidor, em sua perfídia,
entregou com um beijo iníquo o Senhor, nosso Salvador.
Ele vendeu aos Judeus, como a um escravo,
o Senhor de todas as coisas.
Como um cordeiro conduzido ao matadouro,
assim o seguia o Cordeiro de Deus,
o Filho do Pai, o Único infinitamente misericordioso.

Porque no Senhor há misericórdia,
e abundante redenção.

Ele mesmo há de redimir Israel,
de todas as suas iniqüidades

5.° Stikeron

Judas, como servidor, mostrou-se pérfido em suas obras;
como discípulo, mostrou-se urdidor de conspiração;
como amigo, revelou-se o demônio.

Ele acompanhava seu Mestre,
mas, no seu íntimo, meditava a traição e dizia para consigo:
- "entrega-lo-ei e receberei o dinheiro estipulado".

Ele fazia tudo para que o perfume fosse vendido
e tentava todos os estratagemas para apoderar-se de Jesus.
Ele deu um beijo a Cristo e O entregou.

E como um cordeiro conduzido ao matadouro,
assim o seguia o Único misericordioso e amigo do homem.

Salmo 117

Louvai ao Senhor todas as nações,
louvai-0 todos os povos.

4.° Stikeron

O Cordeiro, que Isaías anunciou,
vai ser voluntariamente imolado.
Ele oferece seu dorso aos açoites,
sua face aos insultos.

Ele não desvia seu rosto dos escarros desonrosos.
Ele é condenado a uma morte infame.
Ele, o Inocente, aceita livremente tudo isto
para que todos ressuscitem dos mortos.

Porque sem limites é a Sua misericórdia para conosco
e a fidelidade do Senhor permanece para sempre. Aleluia!

Glória ao Pai , ao Filho e ao Espírito Santo.
agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.

Judas, tu eras, na verdade, da raça de víboras,
daquelas gentes que, no deserto, comiam o maná
e murmuravam contra Aquele que lhes dava o alimento!

Ainda o alimento estava em suas bocas
e já eles injuriavam a Deus, esses ingratos!
E este ímpio, tendo ainda na boca o pão celeste,
consumava sua traição contra o Salvador!

Espírito insaciável e ousadia desumana!
Ele vendia Aquele que o alimentava
e o Mestre a quem ele beijava,
entregava-O à morte!

Verdadeiramente, ele é o filho prevaricador daquelas gentes,
e, como elas, mereceu bem sua perda.
Mas Tu, Senhor, preserva nossas almas desta desumanidade,
Tu que és o Único incomparável em magnanimidade.

Procissão de Entrada e Hino Vesperal

Entretanto, o celebrante, precedido dos ceroferários e do diácono com o Evangeliário, sai pela porta norte da iconostase e vem para diante das portas santas, onde recita a Oração de Entrada, em voz baixa:

Oração de Entrada

Diácono:

Oremos ao Senhor!

Sacerdote:

À tarde, de manhã e ao meio-dia,
nós te louvamos, nós te bendizemos,
nós te damos graças
e humildemente Te suplicamos,
ó Mestre do Universo e Amigo do homem:
faz subir a nossa oração
como o incenso à tua presença,
desvia os nossos corações
das palavras e projetos iníquos,
livra-nos daqueles que perseguem as nossas almas,
pois é para Ti que se elevam os nossos olhares
e é em Ti que depositamos toda a nossa esperança.
Não permitas, Senhor, nosso Deus,
que sejamos confundidos.
Pois a Ti pertence toda a glória, honra e adoração,
Pai
, Filho e Espírito Santo,
agora e sempre e pelo séculos dos séculos. Amém.

Diácono:

Abençoa, mestre, a santa entrada!

Sacerdote:

Bendita seja a entrada dos teus Santos ,
agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.

E, traçando o sinal da cruz com o evangeliário, o diácono exclama:

Diácono:

Sabedoria! Elevemo-nos!

E entram no santuário. O diácono incensa em volta do altar (se o sacerdote celebra sozinho, incensa somente diante do altar). Tendo beijado o altar o sacerdote volta-se para os fiéis e os abençoa. Enquanto isso o coro canta:

Hino «Ó Luz Jubilosa»

Coro:

Ó Luz jubilosa da glória santa
do Pai Celeste e Imortal,
Santo e Bem-aventurado,
ó Jesus Cristo!

Chegados ao pôr-do-sol
contemplando a luz vespertina,
nós cantamos ao Pai
,
ao Filho e ao Espírito Santo de Deus.

É digno que em todo tempo,
Te louvemos com vozes puras,
ó Filho de Deus, doador da vida!
Todo universo te glorifica!

O sacerdote e o diácono dirigem-se ao trono e, concluído o hino, o diácono diz:

Diácono:

Estejamos atentos:

Sacerdote:

A paz seja convosco!

Coro:

E com teu espírito.

Diácono:

Sabedoria!

Sacerdote:

Prokímenon!

1º Prokímenon (1º tom)

Leitor:

Meu Deus, livra-me dos meus inimigos.

Coro:

Preserva-me daqueles que meditam
a injustiça em seus corações.

Leitor:

Meu Deus, livra-me dos meus inimigos.

1º Leitura

Leitor:

Leitura do Livro do Êxodo- (Ex 19, 10-20)

2º Prokímenon (7º tom)

Leitor:

Ó Deus, livra-me dos meus inimigos.

Coro:

Protege-me daqueles que praticam a injustiça.

Leitor:

Ó Deus, livra-me dos meus inimigos.

2º Leitura

Leitor:

Leitura do Livro de Jó (Jó 38, 1-21; 42, 1-5)

3º Leitura

Leitor:

Leitura das Profecias de Isaías (Is 50, 4-11)

Trisagion

Após as três Leituras de Vésperas, canta-se o Triságion, e a Liturgia prossegue como de costume.

Vós que fostes batizados em Cristo,
de Cristo vos revestistes. Aleluia!
(3 vezes)

Glória ao Pai , ao Filho e ao Espírito Santo,
agora e sempre, pelos séculos dos séculos. Amém.

De Cristo vos revestistes. Aleluia!

Vós que fostes batizados em Cristo,
de Cristo vos revestistes. Aleluia!

Diácono:

Oremos ao Senhor!

Coro:

Kyrie, eleison!

Sacerdote:

Pois Tu és Santo, ó nosso Deus, e nós te glorificamos ...

Prokímenon (7º tom)

Leitor:

Os príncipes conspiraram contra o Senhor
e contra o seu Cristo.

Coro:

Os príncipes conspiraram contra o Senhor...

Leitor:

Por que se revoltam as nações
e os povos planejam vãos projetos?

Coro:

Os príncipes conspiraram contra o Senhor...

Leitor:

Os príncipes conspiraram contra o Senhor...

Coro:

...e contra o seu Cristo.

Epístola (Celebração da Ceia do Senhor)

Leitor:

Leitura da 1ª Epístola ao Corintios (1Cor 11, 23-32)

Aleluia (6º tom)

Coro:

Aleluia, aleluia, aleluia!

Leitor:

Bem aventurado quem cuida do necessitado e do pobre!
No dia da desgraça o Senhor o salvará.

Coro:

Aleluia, aleluia, aleluia!

Leitor

Quem partilhava do meu pão,
levantou contra mim o calcanhar.

Coro:

Aleluia, aleluia, aleluia!

Evangelho (chamado da «Nova Aliança»)

Trechos tirados de Mateus, João e Lucas: Mt 26, 1b-20; Jo 13, 3-17; Mt 26, 21-39; Lc 22, 43-45; Mt 26, 40-27,2 Após o Evangelho, segue a Divina Liturgia de São Basílio com as seguintes modificações:

– Em vez do "Canto dos Querubins", do "Kinonikón" e do hino "Vimos a verdadeira luz" canta-se: "Recebei-me hoje na tua Ceia mística ..."

– Em vez de "Verdadeiramente, é digno e justo...", canta-se "Ó Cheia de Graça ..."

– A Bênção Final: "Ó Cristo nosso verdadeiro Deus, que na tua grande bondade, ao lavar os pés de teus discípulos, mostrando-nos que a humildade é um excelente caminho, que, para a nossa salvação, te humilhaste até a crucifixão e o sepultamento, pelas intercessões de (...) e de todos os santos, tem piedade de nós e salva-nos, porque tu és bom e amas a humanidade”.