domingo, 2 de outubro de 2011

Efusão no Espírito Santo



Deus dá graça própria para você exercer as suas funções. Ele nos dá os dons necessários. O Espírito Santo não quer fechar as coisas, mas sim, abri-las; por exemplo, é próprio dos bispos terem o dom do discernimento, ou seja, identificar o que o Espírito Santo fala à Igreja, mas isso não significa que só eles o tenham. Eles precisam estar abertos a novas moções. Muitos homens e mulheres descobriam que Pentecostes é um fato que se atualiza em nossas vidas. O Espírito Santo derrama muitos dons sobre a Igreja.

Efusão do Espírito Santo é só na Renovação Carismática Católica? Não, a missão da RCC é fazer apóstolos da efusão do Espírito Santo. É missão. Outra missão deste movimento eclesial é identificar as multiformes da ação do Espírito Santo. O perfil do apostolado da efusão do Espírito Santo é o abrir-se com docilidade aos dons do Espírito, acolher os carismas e não esquecer que estes [os carismas] são dados para todos. O carisma não é para atrair as pessoas para nós, para nos fazermos de "estrelas", mas é para levar as pessoas a Deus. Nada do que recebemos é para nós, como, por exemplo, são os sacramentos, que são para os outros. Na confissão eu preciso de um irmão, preciso entrar em comunhão com o outro. É magnífico ser filho da Igreja! Deus tem infinitas maneiras de tocar nas pessoas.
Para nós, que somos filhos da Igreja, isso ocorre por meio dos sacramentos.

A RCC não é individual nem individualista, nem pode ser, pois faz a experiência do Pentecostes, que se faz em grupo, em comunidade, em unidade, portanto, chamamos de grupo de oração.

Para os franciscanos tudo gera todo em torno da pobreza. A Toca de Assis, que é uma comunidade feminina e masculino, também se organiza por meio do eixo da pobreza. Já a RCC tem o eixo, que é a efusão do Espírito Santo, para que as pessoas possam receber os dons d'Ele e vivênciá-los em comunidade. Por isso, na RCC é preciso viver três realidades: Efusão do Espírito Santo, viver os carismas e estar em unidade, ou seja, em comunidade. Se essas três realidades não são vivenciadas não é RCC.


Ser apóstolos da efusão, preparar as pessoas, é clamar o batismo do Espírito Santo, rezar pelas pessoas, impor as mãos. A Renovação fica com que é próprio dela, que é a atualização da graça do Pentescotes, por isso, as pessoas, que bebem da espiritualidade desse movimento, precisa fazer esta realidade crescer; e o novo Pentecostes se realiza em grupo de oração.

A liturgia cristã não só relembra os acontecimentos, mas também os atualiza, como, por exemplo, a Eucaristia se atualiza quando clamamos o Espírito Santo, pois Ele se revelou, "tirou o véu".

No Dia de Pentecostes – pela efusão do Espírito –, a Igreja é manifestada ao mundo, o Espírito a inaugurou ao mundo. Ele [Espírito Santo] é dado em Pentecostes na grande efusão; por essa razão, o projeto de Deus é colocá-Lo em público, a Igreja é impulsionada por Ele. Assim, o tempo da Igreja é o tempo do Espírito, e Ele edifica o tempo novo.

No Retiro Popular [livro] deste ano, eu utilizei Maria Madalena como tema, quando ela diz: "Eu vi o Senhor".
E o discipulado passa pela experiência do amor do Pai, pois quem o experimenta pode levá-lo em vida aos demais. A experiência de fé faz com que nos tornemos íntimos de Deus.

As técnicas dos ministérios são importantes, mas sem o Espírito Santo se mostrariam desprovidas de valor. É o Espírito Santo que leva o Evangelho e leva as pessoas acolhê-lo.

Os apóstolos foram enriquecidos por Cristo através das inspirações d'Ele. Nos Evangelhos os apóstolos vêem Jesus curando, clamando ao Pai, mais tarde, eles fazem o mesmo – pela imposição das mãos, pelo clamor ao Espírito. Somos chamados a voltar ao Cenáculo, para ter um novo Pentescotes, pois é o Espírito que nos faz experimentar o fogo do amor. O Pentecostes nos impulsiona a levar para o mundo este vigor do Espírito e Ele dá vida à nossa Igreja. Quando nos abrimos para a efusão do Espírito Santo, Ele reforça o nosso encontro.


Em 1974 participei de um grupo de oração e ali recebi a efusão do Santo Espírito (eram os primeiros da RCC). Era uma graça para tantas e tantas pessoas, as quais hoje são pessoas maduras, que foram treinadas na oração, as quais tiveram suas vidas renovadas pelo Pentecostes.
É preciso haver grupos de oração, e momentos de oração carismática, porque corremos o risco de transformar a Renovação em promoção de encontros de massa. Isso é bom, mas é preciso ter a experiência de grupo de oração.

Já adianto o meu apelo aos padres, aqui presentes. Peço que, como sacerdotes, continuem participando do Renasem, porque os seminaristas precisam de vocês, mas também porque vocês precisam do Renasem. Vocês precisam do Cenáculo que acontece e revigora.

É preciso ter 25 anos de padre, mas ter a cabeça de seminarista. Ontem vi o monsenhor padre Jonas correndo para tirar foto, como jovem. Depois falei para ele: "Você está com tudo!" Ele não se permite ficar velho, e digo a você: Não perca a postura de jovem de espírito. É um apelo, um convite: Não seja velho, não se permita envelhecer. Não perca a graça do Espírito! Faça a experiência de ser fiel ao grupo de oração, isso rejuvenece. O programa da Luzia "Sorrindo pra Vida" é o que é um grupo de oração. E quanta graça, o grupo de oração é muito simples. Muitas vezes, os coordenadores começam a ficar com o "nariz empinado" porque exercem muitas coordenações e dizem que não precisam do grupo de oração, aí se dá o início do desastre. O grupo de oração é simples: começa com o louvor, a ação de graças, pede-se perdão e, depois, suplica-se a efusão do Espírito Santo e, no meio, apresenta-se a Palavra de Deus, que é o que dá sentido, é o que transforma a vida das pessoas.

Quando você for padre proporcione na sua paróquia uma hora de adoração, 15 minutos de louvor e de ação de graças, 15 minutos de pedido perdão e 15 de súplicas. Você verá quantas graças!

A espiritualidade de Pentecostes, que é missão da RCC, com um renovado impulso, impulso de oração, orar sem cessar, impulso à santidade, pois a RCC é um caminho para a santidade, para o impulso à comunhão e ao anúncio da Palavra, anúncio com coragem, com ousadia.

Termino fazendo esta pergunta: Como fazer isso?

É simples: tendo um grande amor à Igreja, porque a Igreja é maior do que nós; tenha paixão por ela! Quanto mais amarmos a Igreja, tanto mais crescerá a RCC. Contudo, se formos fanáticos pela RCC seremos mais perseguidos. Outra coisa necessária é a prudência, pois prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Sejam prudentes.

Dom Alberto Taveira