segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Protomártires do Brasil



História

Em 16 de junho de 1645, Padre André de Soveral e outros 70 fiéis foram cruelmente mortos por mais de 200 soldados holandeses e índios potiguares. Os fiéis participavam da missa dominical, na Capela de Nossa Senhora das Candeias, no Engenho Cunhaú, município de Canguaretama, localizado a Zona Agreste do Rio Grande do Norte.

Quatro meses depois, em 3 de outubro, mais 80 pessoas foram mortas pelos holandeses, entre elas, o Padre Ambrósio Francisco Ferro, que manteve a firmeza na fé defendendo fiéis. Na mesma ocasião, o camponês Mateus Moreira teve o coração arrancado pelas costas, enquanto repetia a frase: "Louvado seja o Santíssimo Sacramento".

Este morticínio aconteceu no Engenho de Uruaçu. Hoje chama-se Comunidade Uruaçu na área do município de São Gonçalo do Amarante, a 18 quilômetros de Natal, litoral do Rio Grande do Norte.

Beatificação

O processo de beatificação foi aberto pela Santa Sé, em 16 de junho de 1989. Em 21 de dezembro de 1998, o Papa João Paulo II assinou o Decreto reconhecendo o martírio de 30 brasileiros, sendo dois sacerdotes e 28 leigos. O Postulador da Causa dos Mártires é Monsenhor Francisco de Assis Pereira.

Segundo Monsenhor Francisco, "a memória dos servos de Deus sacrificados em Cunhaú e Uruaçu permaneceu viva na alma do povo potiguar, que os venera como enclíticos defensores da fé católica".

Monsenhor Assis acompanhou o processo de beatificação junto ao Vaticano, por mais de dez anos, reunindo documentos em pesquisas realizadas em Portugal, Holanda e no Brasil. Deste material resultou o livro Protomártires do Brasil, de sua autoria, lançado no final de 1999.

A beatificação aconteceu na Praça de São Pedro, no Vaticano, em 5 de março de 2000, em celebração presidida pelo Papa João Paulo II. Cerca de mil brasileiros participaram da solenidade.

Protomártires

Segundo o Monsenhor Assis Pereira, os mártires de Cunhaú e Uruaçu foram chamados de "protomártires" pelo Prefeito da Congregação das Causas dos Santos porque "são os primeiros mártires do Brasil reconhecidos oficialmente pela Igreja".